quarta-feira, março 09, 2011

Puede

Não há melhor querer
que querer bem
E querer bem
é querer você.

(trava língua, na minha)

Saravá

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Reticências (mas não é música sertaneja)

O ponto virou nó
Nó que não desfez
Que não desfez e entalou

Daí não ficou nada,
Opa, quase nada.
Ficou o vazio da solidão presente,
Da distância curta,
Do passo atrás,
Do nunca mais.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Mine

O que é meu, eu vou buscar.
Você, que é minha, não vai fugir.
Te pego pelos pés, seguro teu caminhar,
Não, tu não fugirás.

Ai, que é meu e não largo,
feito afeto que não cabe,
feito carinho, feito concreto,
que é minha e não deixo.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Que há

O caminhar é leve, leve e sombrio.
Da ânsia de seguir em frente,
o desespero de deixar pra trás.
Nada fica, nada resta - mas é eterno
e se é eterno, se é pra sempre
Porque não é mais?

Se não é, deixa não ser, que pode ser
Que pode voltar,
mas voltar porquê?
Se um instante passa, o seguinte ainda não veio
Se não veio, dá tempo
tempo de voltar, tempo de pedir pra ficar (pra voltar)
Que volta, que não vai, por favor, não vai...

Deixa ir, o caminho faz curvas.
Minhas e suas, nossas curvas (quantas?)
O passado não morre, o presente não vive e o amanhã não nasce.

(que falta de...)

Saravá

terça-feira, janeiro 25, 2011

Que o agora é o melhor presente
Que o passado é a melhor lembrança
Que o amanhã é o melhor caminho
Que leva a lugar nenhum,
Que leva ao ponto de chegada (e ao de partida)
Já que a vida é agora, já que tudo é agora,
E nada é amanhã, pois amanhã ainda é nada.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Que não quero

Ai! Que quero o que não quero,
Que posso o que não posso,
Que não tenho o que posso,
Que não posso o que tenho.

Saravá

Néissoaí

Segura que a vida não é isso aí
não meu irmão,
Agora pode, depois, pode mais não.

Opa, calma! Que passa, o tempo, a vida, a página,
O que vai talvez volta
o que não volta não fica.
Se não fica, solta, porque segurando se perde,
A vida não é isso aí.

Olha pra fora, olha pra dentro,
Larga mão, vive sem eira ou beira,
Na segunda e na sexta-feira,
que a vida, a vida não é isso aí.


Que venha, que corra, que chegue,
Só não dá pra parar. Corre pra ficar de pé!
Afinal, a vida é mais que isso aí.


* Pq foi embora se era pra ficar?

Saravá!

quarta-feira, janeiro 05, 2011

2011

Que venha 2011. Que venha tudo que tenho direito e dever, mas que não deixem uma foto para trás. Nada deve se perder no caminho, deve-se deixar apenas o que não tem mais utilidade. Deve-se romper com o que não funciona mais, não se pode carregar peso extra sem sentido.

Não se pode viver com novos problemas sem buscar novas soluções. Sair do conforto é doloroso e requer muita disciplina. Mas é preciso passar, é preciso entender que só fica na vida o que ainda pertence à esta linha de tempo. O resto, bolas, é o resto. É o que não ficou porque foi cumprir outra coisa em outro lugar. Vago, porém real.

Não deixe que lhe tomem nada, mas não tome nada do que não é seu. Se assim for, não lhe pertencia. Conforme-se que nem sempre é possível ser o melhor, ter ou fazer o melhor. Não. A vida não tem regras lógicas, ela pode te surpreender com boas ou más notícias em momentos que parecem inoportunos.

Você sentirá falta, sempre, de quem amou. Mas isso não diminui o amor que sentiram, não muda o que sentiram. Aquilo existiu, mas não caia na tentação de achar que voltar é a solução.

Por fim, que em cada um dos 365 dias vindouros você possa seguir em frente, em direção ao ponto final. Que o faça honrada e bravamente. Que encare a vida de cabeça erguida, mostrando quem tu és.

Não desanime, nunca. E mantenha a calma.

Bom 2011 para todos nós, irmãos, primos, pais, tios, afilhados e compadres, antigos amigos, novos amigos, amigos deixados, novos e antigos amores. A você nega, o sincero desejo de um 2011 de tudo diferente. À você, chefe, um 2011 feito o meu 2010, mas só com as boas novas. Com saúde à todos. À você, maninha, um 2011 de auto-conhecimento e caminhar menos sinuoso.

Aos que já sei que ficaram, que as nossas escolhas sejam sempre sábias – ou que a tentativa o seja.

Cuidem-se todos. Que hoje eu vou para pasárgada.

Saravá.

terça-feira, dezembro 14, 2010

à la buarque

Que essa roda gigante acelere
Que não pare de girar, nunca
O círculo, sem início, meio ou fim
Tenha fim
O fim que rompe, que interrompe
O que era concreto,
O que era contínuo,
Que não o seja, não mais

saravá

Sexta atrasada

Semana dificil. Filosofadas em plena madrugada na marginal pinheiros.
Mau sinal. Péssimo.
Em fim de ano, começo de outro, hora de pensar no que se fez. Pensar no que deveria ter feito é tortura, mas é inevitável.
Uma escolha e o caminho seria totalmente diferente. Mais ou menos adverso, não há como saber.
Nas horas em que a dúvida domina a rotina, a identidade se perde e tudo que somos pode vir a não ser.

Dizer que tudo tem um propósito pode parecer sereno. Mas nada mais é do que conformar-se com algo que você não queria que tivesse acontecido.
Abdicar do direito - e do dever, quem há de saber? - de tentar algo diferente, algo positivo. Não se pode abdicar nunca do direito de tentar. De escolher. E de errar.

Saravá

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Solavanco

Ah, o despertar
O pulo inútil em plena madrugada
Para um dia, noite, que seja.
Que já não interessa se há motivo
Se é que algum dia houve
E se houve, houve.

Um círculo, um sem começo ou com fim,
Sem fim, sem horizonte
Horizonte vertical, talvez.

Um talvez, ou apenas não sei,
Um eu pude, pois não posso mais.

Saravá.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Speechless once more

É. O que é meu, é de bom grado. E que assim seja, e que do jeito que for, venha.

Saravá.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Bem que se quis

Sei lá por onde começar esse post. Tem horas na vida que pensamos estar numa rota bem definida e em velocidade constante. Tudo é tão certo como dois e dois são quatro e a sensação de segurança é tamanha que você se sente no controle de tudo, no controle da tua vida e tudo que a cerca. Tenha certeza, meu amigo: você está errado.
Você pode achar que nada vai afetar esta tua segurança e que mesmo teu passado está sob seu domínio fantástico. Tenha certeza que você está errado mais uma vez.
Você se irrita quando alguém que te quer tanto bem faz questão de mostrar isso à você. Afinal, do topo do mundo, de cima do Everest, de qual cuidado você pode precisar, não é? Qual cafuné ou telefonema farão a diferença, certo? Errado, mais uma vez. Fará diferença. Porque conquistar o Everest é uma façanha para poucos. Para um. Mas ao chegar ao cume, quem vai bater a foto? E quando descer, quem o estará esperando?
Já fiz muita bobagem na vida. E ao começar a ver papais noéis pela cidade, a melancolia do fim do ano começa a bater... e na real, não vejo a hora desse ano acabar. Nunca fiz tanta bobagem quanto consegui fazer em 2010. A curva que fica entre o vale e começo da montanha gelada. O ponto que por pura teimosia, você acha que pode dominar a fúria do gigante de gelo. Não pode e não vai. Você não pode controlar o passado, ou o presente e muito menos o futuro. Não se engane, não cometa o mesmo erro que cometi.

Por fim desta porcaria de post, imagine que por mais prazer que você terá ao enfiar o pé no balde ou chutar o pau da barraca, pense no trabalho que vai dar depois pra arrumar a bagunça...

Saravá.

Titleless

Isso não é hora de postar, eu já devia estar no quinquagésimo sono. Mas como a tarde foi proveitosa no quesito "colchão", o esquema é aproveitar a noite que está só começando.
Tirei férias do mundo nos últimos três dias. Mesmo estando, não estava em lugar nenhum. Abstinência da rotina, é, acho que dá pra chamar assim.
Passear pela sua cidade pode ser uma experiência psicodélica: como posso morar aqui desde que nasci e não conhecer cada canto do lugar? Reparar em lojas que nunca vi na vida, em feiras livres de ricos e pobres... uau! Não é preciso ir até NY para sentar debaixo de uma árvore e ficar olhando as belas mulheres (todas têm sua beleza meu amigo... todas!) que ora estão malhando, rindo ou simplesmente contemplando o entardecer num dos parques paulistanos.
Não é preciso estar na Disney para soltar um sorriso ao passar por uma família (um tio com a camisa da seleção canarinho e seus trocentos sobrinhos, cada qual com a camisa do seu time de coração), que foi ao parque chutar bola (e de longe, ouvi que a partida estava 2x0).
Sonhamos com um mundo que poderia ser nosso, esquecendo-nos que já temos um. Viva teu mundo! Se você puder compartilhar com os outros, bom. Se não, que se lasque, sorria do mesmo jeito e siga em frente...

Saravá!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Perspectiva

Somos nós só indivíduos,
Ou todo mundo é que é muita gente?

Somos nós muito pequenos,
ou o céu que é muito largo?

Somos nós feitos de pó,
Ou o pó é o que seremos?

Quem há de saber?
Há quem vai descobrir.

Saravá,


quarta-feira, setembro 15, 2010

Rodando o Mundo - I

Porque é rodando o mundo que o horizonte fica largo...

Meus Vinte Anos (samba, 1942) - Wilson Batista e Sílvio Caldas
Sílvio Caldas

Nos olhos das mulheres / No espelho do meu quarto
É que eu vejo a minha idade / O retrato na sala
Faz lembrar com saudade / A minha mocidade

A vida para mim tem sido tão ruim / Só desenganos
Ai, eu daria tudo / Para poder voltar
Aos meus vinte anos.

Deixaste minha vida / A sombra colorida
De uma saudade imensa / Deixando-me ficaste
Mostrando-me o contraste / Matando a minha crença

E hoje desiludido / Muito tenho sofrido
Cheio de desenganos / Ai, eu daria tudo
Para poder voltar / Aos meus vinte anos
.


Do excelente Cifra Antiga

segunda-feira, setembro 13, 2010

Laçado

Que a vida é um laço
Cheio de entrelaços, embaraços
Feito novelo de gato,
Em formato redondo, já que segue sem rumo

Cheia de nós a serem desfeitos
e feitos
Nós laçados, meio assim, entrelaçados
À base de braços, laços, abraços

Saravá!

segunda-feira, setembro 06, 2010

Destilando ódio

Vamos falar de polítik??? Sim! Vamos! 2010, ano do anti-cristo solto na rua! Tá loco.
Ano de eleição, hora de escolher o que seremos pelos próximos 4 anos. O que seremos? Rá! Seremos a mesma coisa que somos agora: alguns milhões de seres humanos que carregam no peito o orgulho verde e amarelo, que sabe que não depende de ninguém para conquistar o pão de cada dia.
Não importa qual (tirem as crianças da sala!) filho-da-putaex-militante-anti-milicos vai levar a eleição, ah, para eles o que importa é estar no poder. Não importa extorquir uma classe média seca de recursos e iludir uma classe mais necessitada com pão e circo, desde que o poder esteja nas mãos de 13s ou 45s. Que morra toda essa corja que domina o país, dos que têm o poder da caneta aos que têm o poder do dinheiro sujo, maltrapilho e mal gasto.
Morram, calhordas! Não me venham com jingles imbecis, com impostos indecentes e discursos montados. Que Serras, Dilmas e todos que lhes dão apoio morram de fimose ou coisa que o valha - e que sejam enterrados nas valas e que seus mausoléus sejam preenchidos por aqueles que batalharam a vida inteira e que merecem cortejos fúnebres, porém dignos de suas vidas.
O que se quer nesse país não é um país melhor, mas uma cópia mais pobre e mal feita do que não somos. Não somos a nação do cartão de crédito, do boleto, mas é isso que querem nos tornar. No dia de votar, não há muito o que se fazer, a não ser pensar em quem pode atrapalhar menos a sua vida, seu proletário otário. Somos otários que pagam pedágios que sustentam vagabundos em seus prostíbulos de negócios e negociatas, de vagabundos endinheirados que matam mendigos e queimam indígenas e nada acontece à esses. Somos otários que pagam imposto de renda, suada e febril, para sustentar reformas a custos exorbitantes, para sustentar famílias centenárias que comandam os Maranhões de nosso país.
Que há de chegar o dia em que poderemos adentrar o palácio do planalto e nos orgulhar do brasileiro que está lá, que sabe como fez para estar na cadeira mais importante do país.

Saravá.

Crime e castigo

Hei de cometer um crime contra a poesia, ao passado e à História: vou usar uma estrofe de Vinicius de Moraes. Que o Mestre possa me perdoar pela ousadia...

De repente, não mais que de repente
O que devia ser não era mais
De repente, não mais que de repente
O verso alegre tornou-se triste,
O sussurro próximo ficou distante.
De repente, não mais que de repente
O atalho, tão curto,
Tornou-se estrada longa, solitária
A luz escureceu
E tudo que era, já não é mais.
De repente, não mais que de repente...


Que a vida muda e nem sempre há razão - se é que há razão na vida. Nem sempre precisamos entender dado que a aceitação é também liberdade. É se afastar e aproximar, ah, essa vida, esse mar furioso que tanto traz, mas tanto leva.
Que há de ser de quem busca velejar essa violência de paixões, ondas, momentos, fotos, alegrias, tristezas? Há coragem e fibra suficiente? Há instinto que nos faça atravessar esse pedação de água, vento e desconhecido?
O que, quem e como levar adiante?

Saravá